Agrifence se une à Jumil para levar inteligência operacional ao campo
A Agrifence, agtech de Rio Grande (RS), fechou uma parceria com a fabricante de máquinas agrícolas Jumil, de Batatais (SP), que também fez um aporte na startup. A empresa, fundada por Ignácio Melitto, produtor rural de quarta geração, desenvolve desde 2023 soluções de hardware e software para monitoramento de máquinas agrícolas com foco em simplicidade, rastreabilidade e gestão operacional.
Como surgiu a Agrifence?
Ignácio Melitto, engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg), passou pelos setores de máquinas e petróleo antes de retornar à lavoura da família no fim de 2022. Foi nesse retorno que surgiu a origem da Agrifence. "A gente estava passando por um processo de individualização da operação. Precisávamos dividir compra de insumos e venda de grãos, mas não dava para duplicar máquina, equipe e estrutura", recorda Melitto. "Então começamos a procurar uma solução que monitorasse as máquinas."
Ao buscar no mercado, a família encontrou alternativas focadas em telemetria pesada, com grande volume de dados técnicos e custos elevados, distante da necessidade prática da operação familiar. "A gente não queria uma gama de informações que ia se perder. Queria algo direto, que ajudasse a entender custo e operação", afirma Melitto. A decisão foi desenvolver uma solução própria para monitorar as máquinas e controlar as informações que os equipamentos agregavam. Inicialmente, a ideia não era criar uma empresa, mas apenas resolver problemas internos da propriedade. "Vimos que aquilo tinha aplicação para vários colegas nossos. Também para prefeituras, construção civil e gestão de máquinas em geral", diz Melitto.
O que a AgriBox e o Agri-Vision fazem?
A Agrifence se juntou ao iTec/FURG, Centro de Robótica e Ciência de Dados da universidade de Rio Grande, para desenvolver um sistema que funcionasse off-line e trouxesse informações de forma facilitada a operadores de máquinas, gestores e produtores rurais. A startup desenvolveu o hardware AgriBox, um dispositivo plug and play instalado em máquinas automotrizes, e o software Agri-Vision, plataforma de análise das informações operacionais.
Diferentemente de sistemas tradicionais de telemetria, o foco não está na engenharia detalhada da máquina, mas no rastreamento operacional e na gestão de custos. "O monitoramento não é um monitoramento operacional, mas sim uma gestão de recursos imobilizados, trazendo entendimento melhor do custo fixo também", explica Melitto. O AgriBox captura dados de geolocalização, velocidade, operador e implemento. Esses dados são processados em nuvem e o Agri-Vision entrega as informações em mapas interativos e insights operacionais. Há também um resumo diário enviado pelo WhatsApp para evitar a necessidade de abrir o sistema.
O que muda com a parceria com a Jumil?
A parceria com a Jumil, fabricante de máquinas agrícolas de Batatais (SP), incluiu um aporte na startup e visa expandir as operações da Agrifence. A empresa busca manter sua essência de "produtor para produtor", como resume Melitto. A união deve ampliar o alcance das soluções de monitoramento para mais propriedades rurais, combinando a experiência de campo da Agrifence com a presença industrial da Jumil.
A Agrifence nasceu de uma dor operacional real de uma família de produtores de arroz do Sul do Rio Grande do Sul. Hoje, com a parceria, a agtech busca levar inteligência operacional a um número maior de produtores, mantendo o foco em simplicidade e gestão de custos.












