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BrasilAgro: prejuízo de R$ 14,3 mi com fretes caros e soja travada

Redação Sua Fazenda Por Redação Sua Fazenda
25 de maio de 2026
em Mercado interno
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BrasilAgro tem prejuízo de R$ 14,3 milhões com fretes mais caros e vendas de soja travadas

A BrasilAgro encerrou o terceiro trimestre do ano-safra 2025/2026, período de janeiro a março de 2026, com prejuízo líquido de R$ 14,3 milhões. O resultado negativo foi puxado pela escalada do conflito no Oriente Médio, que encareceu o diesel e elevou os custos de transporte em 12% a 15%, segundo a companhia. Com fretes disparados, a empresa reduziu o volume de soja comercializado e viu a receita líquida total cair 26%, de R$ 224,9 milhões para R$ 166,9 milhões.

Por que os fretes subiram e como isso afetou as vendas de soja?

De acordo com a BrasilAgro, a continuidade do conflito no Oriente Médio no início de 2026 pressionou os preços do diesel e elevou os custos de transporte. A empresa estimou uma alta entre 12% e 15% nos fretes. Diante desse cenário, a companhia decidiu estocar parte mais considerável da soja, aguardando a normalização dos preços. "Todos tínhamos expectativas de que a guerra iria se concluir em seis semanas. Falamos: ‘Vamos esperar um pouquinho, não vamos vender um volume expressivo’", relatou Gustavo Lopez, CFO da BrasilAgro. Tradicionalmente, a empresa vende cerca de 70 mil toneladas de soja por trimestre neste período do ano e carrega o restante para o segundo semestre. Desta vez, o volume comercializado foi de 55.433 toneladas, 8% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Com vendas menores, a receita da soja caiu de R$ 104,4 milhões para R$ 95,7 milhões.

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Como os custos operacionais e financeiros pressionaram o balanço?

As despesas com vendas cresceram 11% no terceiro trimestre, totalizando R$ 16,8 milhões, puxadas principalmente pelos custos de armazenagem e beneficiamento, que aumentaram 28%. No lado financeiro, a Selic ainda alta elevou as despesas com juros sobre o capital de giro. A companhia reportou que as despesas com juros cresceram 20% em um ano, somando R$ 25,2 milhões no trimestre. "As expectativas eram de que (o BC) começasse a diminuir a um ritmo, mais ou menos, de 0,5 ponto por cada reunião do Copom, e isso também não está acontecendo. Depois da guerra, o Banco Central estabeleceu um ritmo um pouco menor de redução", disse Lopez. O Ebitda ajustado total encerrou o trimestre em resultado negativo de R$ 28,5 milhões, contra R$ 5 milhões negativos um ano antes.

Quais as alternativas da BrasilAgro para cumprir contratos e o que esperar da safra?

Gustavo Lopez afirmou que a empresa não descarta alternativas comerciais para enfrentar os fretes elevados e cumprir os contratos com as tradings. "Nós temos contrato para cumprir, ou seja, não vamos poder escapar de que até 30 de junho, nós vamos ter que entregar essas 90 mil toneladas para cumprir o contrato", disse. Uma das possibilidades avaliadas é buscar vendas no modelo CIF, modalidade em que o vendedor assume os custos e riscos do transporte até o destino final. "A ideia é levar a soja para o porto, trazendo algum fertilizante de volta. O problema que estamos tendo, por outro lado, é que o fertilizante também está pressionado", completou. A companhia já adquiriu boa parte dos fertilizantes para a safra 2026/2027: 69% do cloreto de potássio e 43% dos fosfatados. Lopez avalia que a safra 2025/2026 deve se encerrar "muito próxima" das estimativas iniciais, com recuperação de produtividade em regiões como Matopiba e Paraguai. A expectativa é de que a situação se normalize até o segundo semestre, quando se inicia a adubação de grãos. "Caso que isso não aconteça, a gente vai ter que convalidar algum preço mais alto", reconheceu o executivo.

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