Café fica fora do tarifaço 2 dos EUA, mas exportação cai 15,7%
O café ficou fora da nova onda de tarifas de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros no tarifaço 2, mas os exportadores da commodity ainda contabilizam perdas da primeira versão, segundo o AgFeed e a CNN Money. Os dados do setor, divulgados pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) na quarta-feira, 15 de julho, mostram que as exportações brasileiras caíram 15,7% no ano-safra 2025/2026, para 38,46 milhões de sacas de 60 quilos. A receita cambial, porém, ficou praticamente estável, em US$ 14,59 bilhões, sustentada pela alta do preço médio da saca.
O que muda para o café no tarifaço 2 dos EUA?
Na nova onda de tarifas, os Estados Unidos aplicam taxa de 25% sobre produtos brasileiros, mas deixam café e carne bovina de fora, de acordo com o AgFeed e a CNN Money. O mesmo levantamento aponta que, apesar da exclusão, os exportadores seguem calculando os prejuízos causados pela primeira versão das tarifas.
Esse cenário ajuda a explicar os resultados do ano-safra 2025/2026. “Quando olhamos mês a mês, nós vemos as dificuldades do ano safra. Entra tudo: tarifas, desafios logísticos, o tarifaço que gerou incerteza política e jurídica, além de novas regras na União Europeia”, afirmou Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, em coletiva para apresentar os números.
Quanto a exportação de café caiu no ano-safra 2025/2026?
Entre julho de 2025 e junho deste ano, o Brasil embarcou 38,46 milhões de sacas de 60 quilos, volume 15,7% menor que o da safra anterior, conforme números do Cecafé. A receita cambial recuou apenas 1% em dólar, para US$ 14,59 bilhões (R$ 77,2 bilhões; em reais, a queda foi de 8,4%). Foi a segunda maior receita da série histórica, atrás de 2024/2025, quando o faturamento chegou a US$ 14,74 bilhões (R$ 84,3 bilhões) com 46,5 milhões de sacas.
O grande diferencial foi o preço médio da saca comercializada, que subiu de US$ 323,13 na temporada passada para US$ 379,48 na safra 2025/2026. O AgFeed classificou o cenário como esperado: menos café disponível, somado a tarifas que inviabilizaram grande parte dos embarques, resultou na redução das exportações.
No recorte semestral, o país exportou 17,8 milhões de sacas de janeiro a junho, número 8,3% menor na comparação com o primeiro semestre de 2025, com receita de US$ 6,5 bilhões (R$ 33,67 bilhões), queda de 13,3% em dólar e de 22,4% em reais. “Sofremos com um volume pequeno no primeiro semestre. A visão era até mais promissora, se não fossem impactos no arábica e um certo atraso na colheita”, avaliou Márcio Ferreira, presidente do Cecafé. Para ele, a recuperação dos volumes deve aparecer em julho e agosto, mas ainda não de forma acentuada.
Quem passou a comprar café brasileiro depois das tarifas?
A Alemanha tomou dos Estados Unidos a liderança entre os destinos do café brasileiro. Foram 5,18 milhões de sacas embarcadas para o país europeu, uma queda de 20,5% em relação à safra passada. Os estadunidenses caíram para a segunda posição, com 4,2 milhões de sacas, recuo de 43,2% em um ano. Completam o top 10 Itália, Bélgica, Japão, Turquia, Rússia, Países Baixos, Colômbia e Espanha.
Em sentido contrário, países que também produzem café aumentaram as compras do produto brasileiro. O bloco cresceu 7,7%, para 2,67 milhões de sacas, com destaque para Colômbia, que importou pouco mais de 1 milhão de sacas ante pouco mais de 335 mil na safra passada (alta de mais de 200%), México (978 mil sacas) e Vietnã (213 mil sacas). Equador (+80%), Panamá (+135%) e Cuba (+258%) também puxaram o avanço. “Diversos países seguirão colocando o café brasileiro, tanto para exportar um blend competitivo ou para fazer uma substituição, atendendo o consumo interno com nosso café”, disse Márcio Ferreira, que avalia que esses destinos seguirão em “níveis importantes” enquanto perdurarem discussões sobre tarifas.
Na composição dos embarques, o café arábica respondeu por 29 milhões de sacas, o robusta por 5 milhões, o solúvel por 3,8 milhões e o café moído por 56 mil sacas. A Europa segue como o maior destino, com 20,1 milhões de sacas (52% do total), seguida por Ásia (8,27 milhões) e América do Norte (6,24 milhões).
Olhando para a safra 2026/2027, recém-iniciada, a expectativa de Márcio Ferreira é de ganho gradual de ritmo nos embarques nos próximos meses. Para o produtor, a leitura dos dados é dupla: o café segue relevante na pauta de exportação mesmo com tarifas, e a diversificação de compradores reduziu a dependência dos Estados Unidos.











