Como organizar o custo de produção por talhão sem perder despesas importantes
A organização do custo de produção por talhão parte de dois registros básicos: o fluxo de caixa da propriedade e a apropriação de insumos e serviços por hectare e por ano. É o que descreve a Embrapa no portal Ageitec, em ficha assinada pelo consultor Joel Ferreira Penteado Júnior, que apresenta uma sugestão de planilha de fluxo de caixa e um quadro de apropriação de custos com coeficientes técnicos e quantidades empregadas. Na comparação entre áreas, a Revista de Política Agrícola publicou em 7 de maio de 2024 o artigo A gestão da propriedade rural por talhões, de Mera, Guma e Ferreira, que analisou custos de produção por talhão em um estudo de caso com produtor de grãos em Cruz Alta, no noroeste do Rio Grande do Sul.
O que precisa entrar na planilha de custos por talhão?
Segundo a Embrapa, o quadro de apropriação de custos deve contabilizar a utilização de insumos e serviços, representados pelos coeficientes e pela quantidade empregada por hectare e por ano, contemplando os gastos envolvidos em cada componente da estrutura de custos. Na ficha do Ageitec, os itens de insumo aparecem com unidades próprias: mudas (plantio e replantio) em ud, calcário em t, fertilizantes N-P-K em kg, fertilizante orgânico em t, formicida em kg e herbicidas em l.
Os serviços são listados em d/H, ou dia por homem, unidade usada para medir mão de obra em atividade agrícola. A relação da Embrapa inclui limpeza da área, coveamento, adubação orgânica, plantio e replantio, combate a formigas, capina e roçada, adubação química e corte e remoção de cascas. A planilha traz ainda uma linha de transporte interno e um bloco reservado a “outros” custos. Como recomendação editorial, vale manter esse bloco preenchido, para que itens sem classificação definida não fiquem fora do período apurado.
A ficha está publicada na seção do cultivo de pupunha do portal Ageitec, e por isso a lista de operações inclui coveamento e corte e remoção de cascas. A adaptação a outras lavouras exige o mesmo cuidado: unidade e quantidade por hectare para cada item registrado.
Por que separar por talhão muda a comparação entre safras?
O estudo da Revista de Política Agrícola relata que um produtor rural convidou pesquisadores para montar um sistema de gestão integrado, de fácil compreensão e personalizado, com o objetivo de trazer somente as questões importantes para a tomada de decisão e, principalmente, bases históricas comparativas de custos de produção entre safras, talhões e culturas.
Segundo os autores Mera, Guma e Ferreira, o sistema foi desenvolvido com base na metodologia custo-volume-lucro. Os principais resultados descritos foram eficiência e agilidade nos lançamentos, organização e resultados de custos por talhão, identificação do ponto de equilíbrio em sacas e relatórios que contribuem para a tomada de decisões. O trabalho usou metodologia qualitativa de cunho descritivo, por meio de pesquisa-ação, em estudo de caso com um produtor de grãos no Município de Cruz Alta.
Consta ainda no resumo que a ferramenta permite comparativos importantes para o entendimento de qual caminho tomar e, principalmente, quais talhões precisam de determinado manejo, de modo a alcançar os melhores resultados.
Como manter a rotina de registros sem abandonar o sistema?
A Revista de Política Agrícola observa que gerir uma propriedade rural exige conhecimento, habilidade, organização, trabalho, empenho e rotina, e que alguns produtores, mesmo depois de adquirir um sistema de gestão, desistem de usá-lo após um curto período.
A Embrapa afirma que, para planejar, é necessário saber qual o volume de entradas e saídas financeiras e quais coeficientes técnicos mais geram impacto na rentabilidade da atividade. Segundo o consultor Joel Ferreira Penteado Júnior, o conhecimento dos custos de produção e da rentabilidade das diferentes atividades é imprescindível para a sustentação econômica dos produtores, e o domínio desses indicadores pode representar a diferença entre o sucesso e o fracasso de um empreendimento.
Como recomendação editorial, três critérios ajudam a manter a disciplina dos lançamentos. Primeiro, definir o período de apuração e mantê-lo constante em todas as comparações. Segundo, registrar por escrito o critério de rateio de cada despesa compartilhada entre talhões, deixando explícito o que foi rateado e com que base. Terceiro, separar exemplos didáticos de números reais da propriedade, para que planilhas-modelo não se misturem aos dados de campo. Esses critérios são orientação de organização e não substituem acompanhamento contábil ou agronômico profissional.
Os dois documentos apontam na mesma direção: o registro sistemático de custos por talhão sustenta a comparação entre safras e a decisão de manejo. As fichas da Embrapa e o artigo da Revista de Política Agrícola servem de ponto de partida para montar planilhas próprias. Para acompanhar outros conteúdos de gestão rural, o portal Sua Fazenda reúne materiais sobre custos, planejamento e tecnologia no campo.
Perguntas frequentes
O que é coeficiente técnico na planilha de custos por talhão?
Segundo a Embrapa, os coeficientes técnicos são os componentes da estrutura de custos registrados junto com a quantidade empregada por hectare e por ano. É esse par, coeficiente e quantidade, que a planilha do Ageitec usa para contabilizar insumos e serviços na propriedade.
Quais unidades a Embrapa usa na planilha de apropriação de custos?
Na ficha do Ageitec, a Embrapa registra mudas em ud, calcário em t, fertilizantes N-P-K em kg, fertilizante orgânico em t, formicida em kg e herbicidas em l. Os serviços aparecem em d/H, a mesma unidade aplicada a operações como limpeza da área, coveamento, capina e roçada e corte e remoção de cascas.
Existe registro de uso do custo por talhão em uma propriedade real?
Sim. A Revista de Política Agrícola publicou em 7 de maio de 2024 um estudo de caso com um produtor de grãos no Município de Cruz Alta, no noroeste do Rio Grande do Sul. Segundo Mera, Guma e Ferreira, o sistema baseado na metodologia custo-volume-lucro trouxe eficiência e agilidade nos lançamentos, organização dos custos por talhão e identificação do ponto de equilíbrio em sacas.










